Como Observar o Céu: Calendário Astronômico, Chuvas de Meteoros e Eclipses no Brasil

Atualizado em outubro de 2026

Olhar para o céu à noite e saber exatamente o que você está vendo é uma das experiências mais marcantes que existem, e não exige equipamento nem conhecimento prévio. Neste guia você vai descobrir quando acontecem as próximas chuvas de meteoros, quais eclipses poderão ser vistos do Brasil, como encontrar o Cruzeiro do Sul e quais planetas estão no céu. Se você já tem experiência, abra os blocos Nível avançado para os detalhes técnicos.

Comece hoje à noite

01  Procure um lugar com poucas luzes e vista ampla do horizonte.

02  Espere de 20 a 30 minutos no escuro, o tempo que os olhos levam para se adaptar.

03  Evite a tela do celular. Se precisar de luz, use luz vermelha.

04  Comece pelo mais fácil: a Lua, os planetas brilhantes e o Cruzeiro do Sul.

05  Prefira noites sem Lua cheia para ver mais estrelas e meteoros.

01

Calendário astronômico 2026–2028

Os principais eventos do céu para marcar na agenda, com a visibilidade a partir do Brasil. Nas chuvas de meteoros, a data indica o pico aproximado; vale observar também nas noites vizinhas.

Data Evento No Brasil Como ver
4 out 2026 Saturno em oposição Ótima Telescópio, para ver os anéis
21–22 out 2026 Chuva de meteoros Oriônidas Boa Olho nu, de madrugada
~17 nov 2026 Chuva de meteoros Leônidas Moderada Olho nu, antes do amanhecer
~13–14 dez 2026 Chuva de meteoros Geminídeas Boa Olho nu, após a meia-noite
Início jan 2027 Vênus brilhante no céu da manhã Ótima Olho nu; fases ao telescópio
6 fev 2027 Eclipse solar anular Parcial em grande parte do país Somente com filtro solar certificado
Fev 2027 Júpiter em oposição Ótima Binóculo (luas) e telescópio
19 fev 2027 Marte em oposição Boa Olho nu e telescópio
~22 abr 2027 Chuva de meteoros Líridas Moderada Olho nu, antes do amanhecer
~5–6 mai 2027 Chuva de meteoros Eta Aquáridas Ótima Olho nu, de madrugada
~29–30 jul 2027 Chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul Boa Olho nu, após a meia-noite
2 ago 2027 Eclipse solar total ("eclipse do século") Não visível Visível no norte da África e Oriente Médio
~12–13 ago 2027 Chuva de meteoros Perseidas Baixa Melhor no Norte e Nordeste
18 out 2027 Saturno em oposição Ótima Telescópio
11–12 jan 2028 Eclipse lunar parcial Todo o país Olho nu, com total segurança
26 jan 2028 Eclipse solar anular com máximo no Brasil Anel na Região Norte Somente com filtro solar certificado

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Chuva de meteoros: o que é, quando acontece e como ver

As "estrelas cadentes" não são estrelas. São grãos de poeira, geralmente menores que um grão de areia, deixados por cometas ao longo de suas órbitas. Quando a Terra atravessa uma dessas trilhas de poeira, milhares de grãos entram na atmosfera a dezenas de quilômetros por segundo e se incendeiam, criando riscos de luz no céu. Como a Terra cruza as mesmas trilhas todos os anos, as chuvas de meteoros se repetem nas mesmas datas.

Tem chuva de meteoros hoje? Como saber

Cada chuva de meteoros fica ativa por dias ou semanas, mas tem um pico de uma ou duas noites, quando o número de meteoros é maior. Confira o calendário acima: se a data de hoje estiver perto de um pico, vale a pena olhar para o céu. Fora dos picos, ainda é possível ver meteoros esporádicos em qualquer noite escura, alguns por hora.

Que horas observar a chuva de meteoros

Para a maioria das chuvas, o melhor horário é de madrugada, entre 2h e o início do amanhecer. Nesse período, o lado da Terra onde você está fica "de frente" para a direção do movimento do planeta, como o para-brisa de um carro na chuva, e recebe mais meteoros. Além disso, o ponto de onde os meteoros parecem vir, o radiante, costuma estar mais alto no céu.

Onde olhar

Para uma área ampla do céu, e não só para o radiante. Os meteoros aparecem em qualquer direção.

Equipamento

Nenhum. Binóculo e telescópio atrapalham, porque reduzem o campo de visão.

Conforto

Uma cadeira reclinável ou uma canga no chão. Leve agasalho: madrugadas esfriam.

Paciência

Reserve pelo menos 45 minutos. Os meteoros chegam em "ondas".

As principais chuvas de meteoros do ano

Toque em cada uma para ver os detalhes.

OUTUBRO  Chuva de meteoros Oriônidas+

Pico por volta de 21 e 22 de outubro. É formada por detritos do famoso cometa Halley. Os meteoros parecem vir da constelação de Órion e são rápidos, às vezes deixando rastros persistentes. É visível em todo o Brasil; o melhor horário é de madrugada, depois que a Lua se põe.

NOVEMBRO  Chuva de meteoros Leônidas+

Pico por volta de 17 de novembro, originada do cometa Tempel-Tuttle. Em anos comuns produz uma quantidade modesta de meteoros, mas é historicamente famosa: em 1833 e em 1966, produziu verdadeiras "tempestades" de milhares de meteoros por hora. Observe antes do amanhecer.

DEZEMBRO  Chuva de meteoros Geminídeas+

Pico por volta de 13 e 14 de dezembro. É uma das chuvas mais intensas do ano e tem uma particularidade: vem de um asteroide, o 3200 Faetonte, e não de um cometa. Os meteoros são mais lentos e muitas vezes coloridos. No Brasil, o radiante fica mais baixo que no Hemisfério Norte, então observe a partir da meia-noite. Em 2026, a Lua crescente se põe cedo e deve deixar a madrugada do pico escura, uma ótima condição.

ABRIL  Chuva de meteoros Líridas+

Pico por volta de 22 de abril, originada do cometa Thatcher. É uma das chuvas registradas há mais tempo, com relatos de mais de 2.600 anos. Do Brasil, o radiante fica baixo, e a quantidade de meteoros é moderada. Observe antes do amanhecer.

MAIO  Chuva de meteoros Eta Aquáridas+

Pico por volta de 5 e 6 de maio. Também vem do cometa Halley, e é uma das melhores chuvas para quem está no Hemisfério Sul. Os meteoros são rápidos e brilhantes. Observe nas horas antes do amanhecer.

JULHO E AGOSTO  Delta Aquáridas e Perseidas+

As Delta Aquáridas do Sul, com pico por volta de 29 e 30 de julho, favorecem o Hemisfério Sul e são boas no Brasil. Já as Perseidas, famosas no Hemisfério Norte, com pico por volta de 12 e 13 de agosto, ficam baixas no céu brasileiro e são mais aproveitáveis no Norte e no Nordeste do país.

Nível avançado  Radiante, taxa horária zenital e o que você realmente verá ›

A intensidade de uma chuva de meteoros é medida pela taxa horária zenital (THZ): o número de meteoros que um observador veria por hora em condições ideais, com céu perfeitamente escuro e o radiante exatamente acima da cabeça. Na prática, você verá bem menos.

A taxa observada cai com a altura do radiante, de forma aproximadamente proporcional ao seno da altitude: com o radiante a 30° do horizonte, você verá cerca de metade da THZ. Ela também cai bastante com a poluição luminosa, porque a maioria dos meteoros é fraca. É por isso que chuvas de radiante muito ao norte, como as Perseidas, rendem pouco no Brasil.

Para fotografar, use câmera em tripé, lente grande-angular, abertura máxima, ISO entre 1600 e 3200 e exposições de 15 a 25 segundos em sequência contínua. Aponte a cerca de 40° a 60° do radiante, onde os rastros ficam mais longos.

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Próximo eclipse no Brasil: solar e lunar

Os próximos anos serão especiais para quem vive no Brasil. Veja quando serão os próximos eclipses visíveis no país:

Próximo eclipse solar

6 de fevereiro de 2027

Eclipse anular em pleno Carnaval. O "anel de fogo" será visível em uma faixa estreita, e grande parte do país verá o Sol parcialmente encoberto.

Próximo eclipse lunar

11–12 de janeiro de 2028

Eclipse parcial visível em todo o país, a olho nu. Os eclipses lunares de 2027 serão penumbrais, um escurecimento sutil, difícil de notar.

O grande evento

26 de janeiro de 2028

Eclipse anular com ponto máximo no Brasil, em partes da Região Norte, como Amazonas e Pará: mais de 10 minutos de "anel de fogo", um dos mais longos do século.

E os eclipses totais? O próximo eclipse lunar total visível em todo o Brasil, a famosa "Lua de sangue", acontece na noite de 25 para 26 de junho de 2029. Já o próximo eclipse solar total visível no Brasil será apenas em 12 de agosto de 2045, em parte do território. O eclipse total de 2 de agosto de 2027, chamado de "eclipse do século", não será visível daqui.

Eclipse anular, total e parcial: qual a diferença?

No eclipse solar total, a Lua cobre o Sol por completo e o dia vira noite por alguns minutos. No anular, a Lua está um pouco mais distante da Terra, parece menor e deixa um anel brilhante do Sol à sua volta. No parcial, a Lua cobre só uma parte do Sol, como uma "mordida".

Segurança em eclipses solares

Mesmo durante um eclipse anular ou parcial, o Sol continua forte o suficiente para causar lesões permanentes na retina, sem dor no momento. Óculos escuros, chapas de raio-X e vidros escurecidos não protegem. Use apenas óculos de eclipse com certificação ISO 12312-2 ou máscara de solda número 14.

Para observar com telescópio ou binóculo, o filtro precisa ficar na frente do equipamento, nunca na ocular. Se planeja acompanhar os eclipses de 2027 e 2028 com o seu telescópio, garanta um filtro solar para telescópio do tamanho correto com antecedência.

Nível avançado  Por que não há eclipse todo mês ›

A órbita da Lua é inclinada cerca de 5° em relação à órbita da Terra. Por isso, na maioria das Luas novas e cheias, a Lua passa acima ou abaixo do alinhamento com o Sol. Os eclipses só acontecem quando a Lua nova ou cheia coincide com um dos nodos, os pontos onde as duas órbitas se cruzam, o que gera duas "temporadas de eclipses" por ano.

Os eclipses se repetem em ciclos de cerca de 18 anos e 11 dias, o ciclo de Saros, conhecido desde a Antiguidade. Um eclipse é anular quando a Lua está perto do apogeu (ponto mais distante), com diâmetro aparente menor que o do Sol.

04

Constelação Cruzeiro do Sul: como achar no céu

O Cruzeiro do Sul é a menor das 88 constelações oficiais, mas a mais famosa do céu brasileiro: está na bandeira do Brasil e foi usada por séculos por navegadores para encontrar o sul. Achá-lo é mais fácil do que parece.

Passo a passo

01  Olhe para o sul. Se não souber onde fica, use a bússola do celular.

02  Procure duas estrelas muito brilhantes lado a lado: Alfa e Beta do Centauro, as "Guardiãs da Cruz". Elas apontam para o Cruzeiro.

03  Ao lado delas, encontre quatro estrelas formando uma cruz, com uma quinta estrela menor fora do alinhamento, a "Intrometida".

04  Cuidado com a "Falsa Cruz": um conjunto de estrelas maior e menos brilhante, nas constelações de Vela e Carina, que costuma enganar iniciantes. O Cruzeiro verdadeiro é menor, mais compacto e sempre acompanhado das Guardiãs.

Quando o Cruzeiro do Sul aparece

Da maior parte do Brasil, o Cruzeiro fica alto no céu nas noites de outono e inverno, de abril a agosto, a melhor época para vê-lo logo no início da noite. Na primavera e no verão, ele aparece baixo no horizonte sul ou só nas horas da madrugada. No Sul do país, parte da constelação nunca se põe.

Como achar o sul pelo Cruzeiro

Prolongue o braço maior da cruz cerca de quatro vezes e meia o seu comprimento, na direção do pé da cruz. Desse ponto, desça uma linha reta até o horizonte: ali está, aproximadamente, o ponto cardeal sul.

Nível avançado  As estrelas do Cruzeiro e seus tesouros ›

A estrela mais brilhante, Acrux (Estrela de Magalhães), é na verdade um sistema múltiplo, separável em duas componentes com um telescópio pequeno. Gacrux, no topo da cruz, é uma gigante vermelha, e a diferença de cor em relação às outras estrelas azuladas é visível a olho nu.

Ao lado de Mimosa (Beta Crucis) está o aglomerado Caixinha de Joias (NGC 4755), um dos mais bonitos do céu em binóculos e telescópios, com estrelas azuis e uma vermelha no centro.

Junto ao Cruzeiro fica o Saco de Carvão, uma nebulosa escura a cerca de 600 anos-luz que bloqueia a luz das estrelas atrás dela. Em céu escuro, aparece a olho nu como um "buraco" na Via Láctea.

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Planetas visíveis no céu hoje

Cinco planetas podem ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Para saber exatamente quais estão no céu hoje, aplicativos gratuitos como Stellarium e Star Walk mostram tudo em tempo real: basta apontar o celular. Veja o que esperar nos próximos meses:

Início da noite

Saturno

Em oposição em 4 de outubro de 2026 e visível à noite até o início de 2027. Os anéis, que ficaram de perfil em 2025, estão voltando a se abrir.

Madrugada → noite

Júpiter

Visível de madrugada no fim de 2026, nasce cada vez mais cedo e chega à oposição em fevereiro de 2027, visível a noite toda.

Antes do amanhecer

Vênus

Volta como "Estrela d'Alva" no fim de 2026 e brilha intensamente antes do amanhecer no início de 2027.

Fevereiro de 2027

Marte

Em oposição em 19 de fevereiro de 2027: alaranjado e brilhante a olho nu, embora menor que em oposições anteriores.

Como ver os anéis de Saturno e as luas de Júpiter

A olho nu, Saturno parece uma "estrela" amarelada que não pisca. Para ver os anéis, é preciso um telescópio: a partir de cerca de 60mm de abertura e 80x de aumento, eles aparecem com clareza. As quatro maiores luas de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes e Calisto) já aparecem em um binóculo firme, como pontinhos alinhados que mudam de posição a cada noite. Foi observando esse movimento, em 1610, que Galileu ajudou a provar que nem tudo gira em torno da Terra.

Nível avançado  Oposição, conjunção e elongação ›

Planetas exteriores (Marte, Júpiter, Saturno) chegam à oposição quando a Terra passa entre eles e o Sol: ficam mais próximos, mais brilhantes e visíveis a noite toda. Júpiter e Saturno têm oposições a cada cerca de 13 meses e 12,5 meses, respectivamente; Marte, só a cada cerca de 26 meses.

Planetas interiores (Mercúrio e Vênus) nunca ficam em oposição. O melhor momento para vê-los é a máxima elongação, quando estão no maior afastamento angular do Sol, visíveis logo após o pôr do Sol ou antes do amanhecer. Em 2027, a inclinação dos anéis de Saturno continua aumentando, tornando cada oposição mais espetacular que a anterior até o início da década de 2030.

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Estrela ou planeta? Como diferenciar

Estrelas são sóis distantes que produzem a própria luz. Planetas apenas refletem a luz do Sol. A olho nu os dois parecem pontos de luz, mas existe um truque simples:

Estrelas cintilam

Tão distantes que chegam até nós como um ponto minúsculo, e a turbulência do ar faz esse ponto "piscar".

Planetas brilham firme

Mais próximos, aparecem como um pequeno disco, e a luz tende a ser estável.

Quando alguém pergunta "que estrela é essa brilhando no céu?", a resposta quase sempre é Vênus ou Júpiter. Vênus é o objeto mais brilhante do céu depois do Sol e da Lua e aparece perto do pôr do Sol ou do amanhecer. Os planetas também sempre ficam ao longo de uma mesma faixa do céu, a eclíptica, o caminho percorrido pelo Sol e pela Lua.

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Constelações do céu do Brasil e a Via Láctea

Como o Brasil fica no Hemisfério Sul, temos acesso a algumas das regiões mais ricas do céu, que não podem ser vistas da Europa ou dos Estados Unidos.

Órion e as Três Marias

Destaque no verão. Logo abaixo das Três Marias está a Nebulosa de Órion, um berçário de estrelas visível a olho nu.

Escorpião

Domina o céu de inverno, com a estrela avermelhada Antares no "coração".

Plêiades

O "Sete-Estrelo", aglomerado de estrelas jovens que surge no fim do ano. Lindo em binóculo.

Nuvens de Magalhães

Duas galáxias vizinhas visíveis a olho nu no céu do sul, em locais escuros.

Como ver a Via Láctea no Brasil

A Via Láctea é a nossa galáxia vista "de dentro". Para vê-la você precisa de céu escuro, longe das luzes da cidade, e de uma noite sem Lua. No Brasil, o núcleo, a parte mais brilhante, na direção de Sagitário e Escorpião, fica mais bem posicionado à noite entre abril e setembro. Com os olhos adaptados, aparecem a faixa principal, as nuvens de estrelas e as faixas escuras de poeira.

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A Lua: fases, superlua e Lua de sangue

A Lua completa um ciclo de fases a cada 29,5 dias. Um segredo que surpreende muita gente: a Lua cheia não é a melhor fase para observá-la. Com o Sol batendo de frente, as crateras ficam sem sombra. Nas fases crescente e minguante, a linha entre o dia e a noite lunar, chamada terminador, revela crateras e montanhas em alto relevo.

A superlua acontece quando a Lua cheia coincide com o ponto da órbita mais próximo da Terra: ela aparece até cerca de 14% maior e 30% mais brilhante do que no ponto mais distante. Já a Lua de sangue acontece durante um eclipse lunar total: a atmosfera da Terra filtra o azul da luz solar e desvia o vermelho até a Lua, o mesmo efeito que deixa o pôr do Sol avermelhado.

Nível avançado  Libração: vemos mais da metade da Lua ›

A Lua mostra sempre a mesma face porque sua rotação é sincronizada com a órbita. Mesmo assim, ao longo do tempo é possível ver cerca de 59% da superfície, graças à libração: pequenas oscilações aparentes causadas pela órbita elíptica, pela inclinação do eixo lunar e pela mudança do ponto de vista do observador. Crateras próximas às bordas, como Mare Crisium, mudam visivelmente de forma de um mês para o outro.

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Onde ver estrelas e como ver a Estação Espacial

A poluição luminosa é o maior inimigo de quem observa o céu. Nas grandes cidades, só a Lua, os planetas e as estrelas mais brilhantes aparecem. Regiões rurais, áreas de serra, sítios e parques estaduais costumam oferecer céus muito melhores, e mapas gratuitos como o Light Pollution Map mostram as áreas mais escuras perto de você. Observatórios e planetários também são uma ótima forma de olhar por telescópios maiores. Em São Paulo, o Observatório Dietrich Schiel (USP, em São Carlos) e o Observatório Abrahão de Moraes (USP, em Valinhos) promovem atividades com o público; confira horários nos sites oficiais.

A Estação Espacial Internacional pode ser vista a olho nu como um ponto muito brilhante que cruza o céu em poucos minutos, sem piscar, diferente dos aviões. As passagens acontecem logo após o pôr do Sol ou antes do amanhecer, e o aplicativo da NASA Spot the Station avisa quando ela vai passar pela sua cidade.

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Qual equipamento usar para observar o céu

A astronomia começa a olho nu, e grande parte deste guia não exige nenhum equipamento. Mas cada passo revela um céu diferente:

Sem equipamento

Olho nu

Constelações, planetas, chuvas de meteoros, a Estação Espacial e eclipses lunares.

Primeiro passo

Binóculo

Crateras da Lua, luas de Júpiter, Plêiades, Caixinha de Joias e a Via Láctea em detalhes.

Guia de binóculos →

Mais detalhes

Telescópio

Anéis de Saturno, faixas de Júpiter, fases de Vênus e o relevo da Lua.

Guia de telescópios →

E um item simples que todo observador acaba usando: uma lanterna de luz vermelha, que permite consultar mapas e ajustar o equipamento sem perder a adaptação dos olhos ao escuro.

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Perguntas frequentes

Quando será a próxima chuva de meteoros?+

As próximas são as Oriônidas (pico por volta de 21–22 de outubro), as Leônidas (por volta de 17 de novembro) e as Geminídeas (por volta de 13–14 de dezembro), uma das mais intensas do ano. Veja todas no calendário astronômico.

Que horas vai ser a chuva de meteoros?+

A chuva de meteoros não tem um horário exato: ela acontece ao longo de toda a noite. O melhor período costuma ser de madrugada, entre 2h e o início do amanhecer, quando a quantidade de meteoros é maior.

Quando será o próximo eclipse solar no Brasil?+

Em 6 de fevereiro de 2027, um eclipse anular, parcial em grande parte do país. Depois, em 26 de janeiro de 2028, com ponto máximo no Brasil. O próximo eclipse solar total visível no país será em 12 de agosto de 2045.

Quando será o próximo eclipse lunar?+

O próximo eclipse lunar bem visível no Brasil será o parcial de 11 para 12 de janeiro de 2028, em todo o país. O próximo eclipse lunar total, a "Lua de sangue", será na noite de 25 para 26 de junho de 2029.

Chuva de meteoros é perigosa?+

Não. Os meteoros de uma chuva são grãos de poeira que se desintegram completamente a dezenas de quilômetros de altitude. É um espetáculo totalmente seguro de assistir.

Dá para ver a chuva de meteoros na cidade?+

Os meteoros mais brilhantes, sim, mas em número bem menor. Quanto mais escuro o céu, mais meteoros você verá. Se possível, afaste-se das luzes da cidade.

Qual aplicativo usar para identificar estrelas e planetas?+

Stellarium, Star Walk e SkySafari são ótimas opções: aponte o celular para o céu e veja o nome de cada estrela, planeta e constelação. Ative o modo noturno vermelho para preservar a visão.

Conclusão

O céu muda a cada noite e a cada estação, e sempre há algo novo para descobrir: uma chuva de meteoros, os anéis de Saturno, o Cruzeiro do Sul no horizonte ou um eclipse que só acontece uma vez em décadas. Comece hoje mesmo, a olho nu, e salve esta página: atualizamos o calendário astronômico regularmente.

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